O Rio no foco da diversão

Nas Ruas da cidade estão os recheios da história contada há anos. Nessa beleza de cenário estão os contos de uma cidade que cresceu para ser grande. O Rio de Janeiro é um daqueles locais que atraem pessoas do Brasil todo e do mundo, naturalmente, mas dos brasileiros, ganha a notoriedade de ser uma espécie de capital nacional da cultura e da arte. São Paulo e Brasília compõem essa metrópole da diversão.

A história da prostituição, ofício milenar e que acompanha qualquer cultura, começa a ser contada no Rio de Janeiro de forma mais precisa a partir da chegada de D. João VI, que trouxe junto com toda importância da Coroa, uma espécie de meninas com visão de futuro. As mulheres dos Açores e da França enriqueciam o que já existia por aqui, apesar de discreto.

O século XIX e sua falta de empregos numa cidade lotada, abriu espaço para muitas meninas caíssem na vida. Quase 10% da população nesse século viveu com a falta de postos de trabalho. Eram mais de 500 mil cidadãos cariocas e cerca de 50 mil desempregados. Ainda mais com o advento da libertação de mulheres escravas e com a presença de muitas estrangeiras, a prostituição era vista como uma excelente oportunidade.

O Século XX trouxe os grandes bordeis que ganhavam destaque e saiam da sombra. A verdade é que muitas pessoas gostavam daquele envolvimento. As “mulheres francesas” como eram conhecidas as prostitutas à época, faziam parte da sociedade. É uma espécie de advento das acompanhantes de luxo que sempre existiram de forma velada.

O tema é muito famoso em diversos lugares e em Brasília, temos o local mais pleno quando o assunto é acompanhantes de luxo. Thiago Couto, do Brasil Lovers, site de acompanhantes de Brasília fala que sobre a influência do Rio em todo o cenário “nós sabemos que tudo começa pelo Rio e vai amplificando. Eu conheço a cidade e sei bem que a história começa por ai”. Brasília é uma cidade com diversas raízes e o Rio e sua história, estão nela!

 

A breve história dos Gaffrée e Guinle e a energia elétrica do Rio de Janeiro

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Bonde entrando na Rua General Canabarro em 1912. História do RioQuem acha que Gaffrée e Guinle é apenas o Hospital Universitário da UniRio, engana-se. A História desses dois nomes e personagens é muito interessante e relevante para os cidadãos cariocas e sua história de construção da realidade de hoje. No início do século XX, quando a energia elétrica estava sendo apenas começada nos logradouros do centro do Rio de Janeiro e adjacências, além de residências da cidade, havia a interesses na exploração dos novos serviços.

Nas ruas,a exclusividade para iluminação pública e quais quer outro serviços público, era, por decreto imperial,de exclusividade da SAG (Société Anonyme du Gaz). Após a república ser instalada na Capital, e a nova constituição de 1891, as concessões foram refeitas e passaram a dominar sistemas elétricos de ferro carris (bondes) movidos à eletricidade e iluminação das ruas.

Gaffrée e Guinle e a atuação no Porto de Santos

Candido Graffrée e Eduardo Palassim Guinle eram dois homens voltados ao empreendedorismo e às novas tecnologias da época. Ganharam concessões para explorar hidroelétricas, que começavam a despontar na cidade para a geração de energia. Eles já tinham, antes de chegar ao rio, o direito de ceder energia para a Companhia Docas de Santos.

História do Rio - Copacabana à noite década de 20Ao chegar ao Rio de Janeiro, tiveram a dura concorrência da canadense Light and Power. Em 1909, eles criaram então a CBEE (Companhia Brasileira de Energia Elétrica) e passaram a fazer frente à Light e outros grupos de capital estrangeiro. A briga entre as empresas dos Gaffrée e Guinle foram parar na justiça e após inúmeras vezes frente ao tribunal, finalmente, em 1915, a CBEE encerrou suas atividades.

Além da exploração da usinas para geração de energia, eles atuavam em outras frentes para a construção do sistema elétrico nacional. Ao se associarem a Adolf Aschoff, um engenheiro americano, fundaram assim a Aschoff e Guinle, que tinha objetivo de importar material elétrico do exterior. Após a morte de Aschoff em 1904, os Guinle e Cia. Deram continuidade ao trabalho. Assim iniciava-se a história da General Electric no território nacional e na história do Rio de Janeiro.

Grande atuação em Niterói

A empresa tinha maior atuação em Niterói, onde faziam a iluminação das ruas por meio de 3000 lâmpadas incandescentes. A Briga entre o grupo Brasileiro e a Light também permeava o transporte público, já que à época, já começava a substituição dos ferros carris movidos a força animal e a vapor por composições que rodavam com energia elétrica.

O Brasil sempre teve imensa vocação de valorizar o conteúdo estrangeiro em detrimento ao produzido no país. Não sou ufanista, tampouco penso que aqui tudo seja possível. Mas, o engajamento de grupos nacionais que visavam a melhoria dos serviços urbanos e que contribuíram fortemente para evolução do país poderiam ser mais valorizados, inclusive sendo do conhecimento do público. Poucos sabem das histórias dos Gaffrée e Guinle e da história do Rio. Por ajuda deles, hoje, é possível você estar lendo isto por meio de um aparelho elétrico.

A história da Avenida Presidente Vargas

Presidente Vargas - InaguraçãoToda grande cidade precisa de uma grande avenida, certo? No Rio de Janeiro uma só não bastou, a grandiosidade desta cidade, guardava algo ainda mais retumbante! Após a criação da Avenida Central de Pereira Passos, posteriormente Rio Branco, foi idealizada e construída a Avenida Presidente Vargas. À época, foi considerada faraônica pois derrubou quadras inteiras para a passagem de suas largas pistas, sumiu com ruas, foi radical. Destruiu, inclusive, a original Praça Onze que, até então, sediava os novatos desfiles das escolas de samba do Rio. A ideia era ligar a Avenida do Mangue até o Cais dos Mineiros, hoje Arsenal de Marinha, e o projeto foi idealizado e realizado durante o governo de Henrique de Toledo Dodsworth.

Demolições, premissa da cidade

Para a passagem desta gigantesca Avenida, foram demolidos 525 prédios, muitas ruas antigas como a Senador Eusébio, da Foto, simplesmente deixaram de figurar nos mapas da cidade. Para as pistas laterais foram aproveitadas as Ruas General Câmara (lado ímpar) e Rua de São Pedro (lado par), as pistas centrais é que foram as responsáveis pela grande derrubada ao estilo Pereira Passos. Entre as mais de 500 construções postas abaixo, estavam quatro igrejas: São Pedro dos Clérigos, São Domingos, Bom Jesus do Calvário e NªSª da Conceição. O nome da Avenida foi dado em homenagem ao então presidente da República, Getúlio Vargas. À época o país vivia sobre o regime do Estado Novo.

Canal do Mangue em 1919Para se entender a importância da Avenida Presidente Vargas é importante entender a relevância do Canal do Mangue, construído no século XIX. Na verdade, desde o tempo de Dom João VI já era pensada a construção de um canal navegável que ligasse o mar ao Rocio Pequeno, atual Praça Onze de Julho. Finalmente em 1857, foi iniciada a obra do Canal do Mangue que, à época, era considerada a maior obra de saneamento do Rio de Janeiro. A construção da Avenida Presidente Vargas surgiu com objetivo de ligar pontos extremos do centro carioca.

Antes das Obras da Avenida Presidente Vargas

Durante as obras de abertura da grande avenida carioca, que passou a ter cerca de 4 km, o carnaval carioca utilizou as instalações do estádio de São Januário, do Vasco da Gama, para realizar os desfiles carnavalescos. A Avenida Presidente Vargas foi finalmente inaugurada no dia 7 de setembro de 1944. Nas fotos abaixo é possível entender o que mudou na cidade desde o momento do início das obras até a sua inauguração. Também serão mostradas construções que foram demolidas para a passagem da Avenida, como a Igreja São Pedro.Presidente Vargas ante das obras

A Central do Brasil

História do Rio - Construção da Nova Central

Entre as milhares de histórias sobre a cidade do Rio de Janeiro, algumas chamam atenção como as que datam do século XIX e evolvem o setor de transporte urbano. Inaugurada em 1858, a linha estrada de Ferro Central do Brasil tinha estação final a “Estação do Campo”. Teve seu nome alterado para Estação da Corte e após Estação Dom Pedro II. O que impressiona é a beleza do antigo prédio da estação, diria que mais bonito que o atual.

A década de 30 trás o novo e atual prédio

história do Rio - Antiga Central do BrasilA antiga construção foi reformada no início do século e todos achavam que pararia por ali, nada seria mudado. Entretanto para haver a expansão do sistema ferroviário, bem como a passagem da Avenida Presidente vargas, que nas fotos pode ser entendida como o espaço onde as pessoas passam, anos depois. A construção da, à época, obra faraônica datam do início da década de 40. A antiga ferrovia, desativada em 1971 pela RFFSA originou o nome atual da estação.

Construção prédio novo e Palácio D. de Caxias

Vale ressaltar que a antiga estação fazia a ligação da cidade do Rio de Janeiro com outras cidades, incluindo Belo Horizonte e São Paulo. Datam da década de 30 a passagem de toda a malha ferroviária de trens urbanos do Rio para sistemas elétricos. Apesar de ter sido lançado em 1860, a rede de trens só ganhou eletricidade em toda a extensão na mesma época em que se derrubou o antigo prédio.

Política sempre assolando

A nota triste pode ser levantada, como sempre, a questão política que desde sempre ditaram o ritmo da evolução dos transportes urbanos. São bitolas largas, estreitas, trens de um modelo que não rodam em determinada linha existente, enfim, são catástrofes que sempre assolaram e assolam o sistema num todo. Hoje, de trem, mal vamos à japerí.

Palácio Monroe, um rasgo na nossa memória

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história do Rio - Palácio Monroe

Já parei para tentar entender a cabeça de nós brasileiros e brasileiras acerca de nossa história, e não consegui chegar a um entendimento. Eu mesmo defendo com veemência, por exemplo, a demolição do estranho elevado da Perimetral. Só que movimentos como este, simplesmente fazem sumir da memória uma porção de contos e momentos das nossas vidas. Hoje eu venho neste espaço que criei para proclamar a histórias do Rio que, nesse tempo, venho descobrindo em profusão. Há tempos descobri que até 1976 existia ao fim da Avenida Rio Branco, onde há o chafariz monumental, um palácio de proporções gigantescas, guardião da história da República e que devido a esse pensamento ao qual já disse não entender, veio abaixo, sendo, simplesmente, apagado das nossas memórias. O Palácio que foi erguido em 1906, durante os governos Rodrigues Alves e Pereira Passos, foi sede do Senado Federal até 1960, quando a capital foi arrancada do Rio rumo à Brasília.

Representação histórica do Palácio

história do Rio - construção - palacio MonroeO palácio foi concebido em 1903, para ser Pavilhão do Brasil na Exposição de Saint-Louis, nos Estados Unidos, que aconteceria em 1904. A obra seria a representação do país no evento, devendo enquanto tal “ter aproveitada toda a estrutura, de modo a poder-se reconstruí-lo nesta Capital”, conforme exigia a cláusula 1ª do Aviso nº 148, datada de 3 de julho de 1903. E assim foi feito. Foi concebida pelo engenheiro Militar Coronel Francisco Marcelino de Souza Aguiar. Construída com uma estrutura metálica desmontável, a obra foi erguida e exposta em Saint-Louis, conforme previsão. A obra chamou tanta atenção dos norte americanos que foi contemplada com a medalha de Ouro. Sucesso total. Foi a primeira grande vitória da arquitetura nacional na comunidade internacional.

História do Rio - Palácio Monroe

Após o evento e premiação, o monumento foi desmontado e trazido para a Capital Federal que passava por um processo de modernização intenso sob a batuta de Pereira Passos que, ao derrubar cortiços e becos, dando lugar a grandiosas avenidas e construções, tentava mudar o cenário de sujeira e caos que o Rio passava para o mundo. Além disso, contava com total apoio do Presidente Rodrigues Alves que desejava ver a cidade higienizada e totalmente modernizada. Dessa forma, a República se consolidava diminuindo seus opositores que perdiam força em meia a criação de um imaginário de grandeza que tomava conta e legitimava o poder estabelecido. Assim, premiado, a estrutura veio ao Brasil e foi montado na região da Cinelândia, bem à direita do obelisco que lá existe até hoje.

Até o ano de 1914, o Palácio foi apenas palco de exposições. A partir daí, virou a Câmara dos Deputados, já que o Palácio Pedro Ernesto encontrava-se em construção. Em 1922, no primeiro centenário da Independência e com o fim das obras, passa a ser o Senado Federal. Virou palco marcante da República, com marcantes desavenças políticas, como a dissolução do Parlamento durante o Estado Novo de Getúlio Vargas. Em 1960, com a transferência da Capital para Brasília, passou a ser sede do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), instituição de respeito, à época, em que os militares acabavam de tomar o poder no país.

A partir desse momento, começam os movimentos pró-preservação dos monumentos históricos da cidade do Rio de Janeiro. O Iphan ganham espaço no cenário, mas forças contrárias ao Palácio começam a tomar conta. A partir da década de 70, principalmente com as obras do metrô, isto se intensificou. Os engenheiros da obra faziam de tudo para não chegar ao monumento, mas, dessa forma, as obras atrasariam. Foi quando, pelo Governo do Estado, foi decretada a demolição do Palácio Monroe. Havia no país, nesse tempo, um grande movimento pró-demolições que contava com a participação de arquitetos modernistas como Lúcio Costa. Além disso, alegava-se que ele prejudicava o trânsito da cidade e que, segundo o Presidente Ernesto Geisel, atrapalhava a visão dos monumentos aos Pracinhas da 2ª Guerra Mundial.

Destruição Palacio MonroeApesar dos movimentos contrários à demolição, em 11 de outubro de 1975, o Presidente autorizou definitivamente a destruição do Palácio e de mais um pouco da nossa manchada história. Em 1976, o premiado monumento de apenas 70 anos e de imensa história guardada em suas estruturas, veio abaixo, dando lugar a um chafariz. Isso mesmo, um chafariz. Não há estradas, não há benfeitorias. Há um chafariz. Mais um legado terrível da ditadura e da política combalida deste país. E o detalhe é que ele foi simplesmente deletado da nossa história. Você que me lê nesse momento provavelmente não sabe de sua existência. Mas as fotos mostram o tamanho da tragédia.

Mas enfim, chegamos à modernidade discutível da história do Rio

O Palácio Monroe fazia parte da construção de um país melhor, mas desenvolvido, menos sujo e mal visto perante o mundo. A cidade, de fato, passou a ser mais moderna, condizente à sua beleza. Aterros foram necessários, assim como hoje acho necessária retirada da Perimetral para revitalização da zona portuária. Aliás, o elevado fora construído na ditadura também e, nessa época, existia tudo, menos amor ao país. A nobre Avenida Central, que foi concebida para ser grandiosa, foi passada de um pedaço da França para ser um retalho de Nova Iorque. Terrível, mas tínhamos até construído uma identidade cultural. Afinal, somos europeus de nascença e não norte-americanos. A velha Avenida Central me agradava mais. Os tempos de elevação da história da cidade do Rio de Janeiro me agradavam mais. Mas, como somos meio Maria-vai-com-as-outras, por uma esmola ou outra simplesmente nos deixamos para trás.

História do Rio: Cidade que se desfez de seu legado!

Hotel Avenida - pérola da história do Rio

Tradição! Alguém no Brasil sabe realmente do que se trata? Pois bem, em uma época de muitos holofotes na cidade sede das Olimpíadas que irá, em breve, necessitar de uma gama infinita de hotéis e um sistema de transporte eficiente, o que vemos nestas fotos são uma demostração da falta de compromisso com a história de cada um de nós, falta comprometimento com a história do Rio! O Hotel Avenida era sinônimo de puro luxo e glamour. Tinha belos salões e um terraço aconchegante e charmoso. Era tão pomposo que daria inveja ao Copacabana Pálace com facilidade. Entretanto, com a chegada do progresso, o hotel foi abaixo para dar lugar ao Edifício Avenida Central. O prédio é um bloco de concreto armado que hoje abriga inúmeros empreendimentos, inclusive, de prostituição. Faceta de uma decadência vislumbrável. A especulação imobiliária tão falada nos dias de hoje, desde aquela época já dava o tom dos dias desta cidade. Passamos assim, a trazer a cultura norte-americana, deixando a Paris dos trópicos, planejada, bem feita, totalmente esquecida.

História do Rio é marcada por demolições

Não foi só o Hotel Avenida altamente tradicional e luxuoso à época, quem sucumbiu aos desmandos da sempre contestável política brasileira. Outros monumentos, prédios e linhas de bonde simplesmente sumiram no tempo. O Hotel Avenida tinha em sua porta uma estação de bonde. O que há de tão moderno hoje por aqui? Ver que deixamos de lado o que hoje lutamos para reativar é a certeza de que podemos nos chamar de burros, isso mesmo, burros. Lá em Portugal isto dava uma bela piada. Tiramos os bondes, os hotéis e agora, precisamos de VLTs e empreendimentos hoteleiros para atender uma demanda. Vejam, as instalações do Hotel Avenida eram para lá de interessantes e agregaria alto valor ao centro carioca.

História do Rio - Outra tomada do Hotel Avenida

Naturalmente, o progresso é bem-vindo sempre. Só que até ele passa pelo respeito à história. Não há como esquecer dela. Em nomes dos interesses de empresários e de apenas uma pequena porção, destruímos de tudo um pouco e abandonamos o transporte sobre trilhos. A cidade tinha em sua estrutura de tráfego, uma frota sobre trilhos totalmente interessante. As obras do início do século realmente a transformaram numa espécie de capital europeia. Entretanto, logo logo fizeram o favor de nos devolver à realidade dos trópicos: Desorganização e entropia social!

Especulação Imobiliária, a grande vilã

Triste é saber que, desde muito tempo, isto já faz parte das nossas vidas. Antes da existência de um órgão regulamentador como o Iphan, entretanto, isso era mais fácil. Derrubar monumentos, destruir história antigamente, era muito mais fácil, menos impune. Terrível é saber que ninguém se importa muito com essas coisas e que aqui, estou escrevendo para poucos. Assim, a história vai virando pó e escorrendo por entre os dedos. Só lembramos ou sabemos quando temos numa imagem, a lembrança de um passado glorioso. O centro das tradições, brilho e cultura, hoje é apenas o centro da cidade.

História do Rio – Sem Perimetral, para o bem do Rio

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“Eu quero ver esta prédio na Chom” A personagem mais famoso da atriz Aracy Balabanian, diria isto se a perguntassem sobre o viaduto que liga a Avenida Brasil ao Aterro do Flamengo. E realmente muito se fala sobre a demolição do elevado da Perimetral, que começa em 2013. Mas eu questiono de cara aos que discordam: Quem se lembra da doce Avenida Rodrigues Alves anterior ao monstro de concreto, que deu ainda mais vigor à industria rodoviária? Pois bem, a demolição total deste erro histórico, marca a renovação da zona portuária carioca, que ficou esquecida por muitos anos. E não, esta não é uma discussão política. Afinal, acho que qualquer um que estiver à frente do cargo, deveria ao menos conhecer a história dessa cidade.

Perimetral afoga ainda mais o gargalho no centro carioca

Aos que defendem a permanência, vos clamo: De que adianta ter um viaduto gigantesco ligando pontos se onde tudo desemboca, as vias são as mesmas de 50 anos atrás? E ainda há outro ponto, a Perimetral definhou um ponto junto ao mar e de grande valia à cidade. O Porto do Rio, pelo tamanho e a importância junto à história do Rio deveria ter sido tratado com mais carinho. O ponto hoje é o de menor densidade demográfica do município, fazendo se perder no meio dos movimentos urbanos toda a história da cidade. E não é só história a ser contada, a região portuária carioca, é um grande sítio arqueológico.

E outro fator importante a ser lembrado é que toda a área junto ao porto e aos bairros próximos, são os mais deteriorados de todo o Centro carioca. A antiga Rua Larga, que foi a primeira grande rua da capital, hoje como Marechal Floriano, deixa transparecer um pouco do desleixo com a história. Muito se fez nas áreas próximas ao aterro, mas a parte junta ao Morro da Providência, bairros como Gamboa e Saúde, foram esquecidas por longas décadas. Pensar numa revitalização é pensar no Rio como cidade grande e integrada.

E não é só isso, essa discussão aleatória sobre gastos é relativa. Gastar muito por nada é errado, gastar muito refazendo e consertando erros históricos é outra coisa. Até porque, pior do que gastar fazendo é não fazer e ainda sim o dinheiro sumir. E deixo claro que não concordo nem discordo com o sistema orçamentário da cidade. Quem hoje aceitaria derrubar um morro inteiro para fazer um novo bairro ligando-o ao mar? E, na verdade, deixou de legado um aeroporto, além de muito espaço funcional. Pois bem, hoje seria inimaginável a derrubada do Morro do Castelo entre outros que vieram a baixo, mas que, certamente, são extremamente relevantes para o desenvolvimento da cidade.

A derrubada da Perimetral, por sua vez, irá apresentar uma tecnologia bastante interessante, e importar dos EUA foi a solução e prevê que não haja implosões, até porque, resíduos como vigas e concretos serão usados em reformas de vias de acesso e tudo tem de estar intacto. Além do mais, obra abre espaço para possíveis reconstruções, como o Mercado Municipal, que, para a passagem do elevado, foi posto ao chão. Seria uma boa oportunidade de devolver à cidade o que foi tirado sem sentido.

Consertar erros da história do Rio levaria anos

Alguém toparia reerguer 80% dos cinemas de Rua do Rio? Ou ainda derrubar metade dos prédios do centro que transformaram o local em algo sem expressão? Ou ainda devolver os Cafés postos abaixo? Pois bem, se alguém tivesse a oportunidade de consertar tudo de errado que foi feito na nossa cidade, certamente, levaria uma vida fazendo. Afinal, o Rio já foi bastante mal tratado. É evidente que nada disso será feito. Mas jogar abaixo a horrível Perimetral é uma palhinha interessantíssima.

Na Estrada de Ferro da Leopoldina, o passado mais inteligente da história do Rio

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“Cidade maravilhosa, cheia de encantos mil”. André Filho tinha razão, nunca duvidem disto, mas a verdade é que algumas maravilhas da história do Rio não são tratadas como deveriam e com a importância histórica e funcional que poderiam. A Estação Barão de Mauá, seu nome original, que fica na Avenida Francisco Bicalho, é a mostra mais que real dos processos de retrocesso funcional e de falta da preservação da história carioca. Afinal, até meados do século passado, dali se poderia ir a São Paulo, Petrópolis, Três Rios, Friburgo e outros destinos, além de ser parte dos ramais da Supervia, antiga e desavergonhada Flumitrens.

Cidade sem planejamento de mobilidade urbana

Construída em 1886, a estação Barão de Mauá ligava o centro a diversos destinos. Foram grandes as brigas acerca das bitolas as quais os trens usariam, afinal, no Brasil sempre há espaço para discussões de interesses particulares. O prédio atual, desativado em 2001, foi inaugurado em 1926, no dia 6 de novembro, e guarda em si, as lembranças de um Rio clássico, que andava sobre trilhos. O trecho que fazia o percurso até a cidade de Três Rios, passando por Petrópolis, foi encerrado em 5 de novembro de 1964, e sua locomotiva encontra-se exposta no Museu Imperial de Petrópolis, no prédio anexo, onde ficava a cozinha real.

Não há como negar que o advento do automóvel é algo fantástico. Afinal, ele não é e nem nunca será o vilão desta história de mandos e desmandos, afinal, são muitos amantes de carro, aqueles que sabem de tudo e adoram uma troca de óleo, e sabem da sua importância como transporte de passeio, como quem vos escreve. Mas que também tem consciência que os processos de mobilidade urbana não passam só pelas estradas. Hoje vivemos dias de incerteza e falta de comprometimento dos políticos acerca do futuro da cidade do Rio de Janeiro.

Em 1998, o último Trem de Prata da história do Rio

Muitos nem sabem que até 1998, ou seja, poucos anos atrás, época em que a Estação Barão de Mauá ainda operava, era possível ir do Rio a São Paulo de trem, o Trem de Prata. No dia 29 de novembro do ano supracitado, partiu da Estação Barra Funda em São Paulo, com destino à Estação Leopoldina, a última composição que fez o trajeto. O retrocesso e o desinteresse é algo que assusta. A falta de comprometimento com a história é tema mais que relevante a se discutir. É uma nostalgia que não deveria ser vivida, pois ainda deveria estar sendo vivida, com gerundismo e tudo.

O trajeto entre Rio e São Paulo, que já tinha sido operado pelos trens Cruzeiro do Sul e à época tinha mais de um século, hoje é conto mal contado por aqueles que se tornaram testemunhas oculares do fato. Hoje, estamos esperando, mais uma das promessas feitas pelos políticos, que, como muitos, desconhecem a história da cidade, a construção ou reconstrução de uma verdadeira história carioca e até paulista. Os prometidos Trem-Bala são um sopro de esperança na recuperação da memória das estradas de ferro deste país!

Na História do Rio – a Rio Branco dos carnavais, prédios e descaracterização-

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Av. CentralQuem circula pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, mal sabe o que ali abrigava no início do século XX, um dos marcos de mudança arquitetônica e da história do Rio. Sob a batuta de Pereira Paços, foi aberta a Avenida Central, que ligava em 1800 metros, o novo porto da cidade à Glória, que à época se desenvolvia plenamente. Foi um tempo em que as ruas do centro foram alargadas, a orla da Baía de Guanabara fora totalmente urbanizada e alguns morros foram destruídos para que a maior, até então, avenida da cidade fosse aberta. Em 21 de fevereiro de 1912, passou-se a chamar Avenida Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, diplomata, que por meio de tratados garantiu fronteiras nacionais e morrera no dia 11 do mesmo mês.

Concreto armado desfigura história do Rio e legado Pereira Passos

Com o advento dos grandes prédios de concreto armado, pouco a pouco, a Avenida Rio Branco foi perdendo seu brilho arquitetônico cuidadosamente construído sob o olhar do engenheiro Paulo de Frotin, que tinha posto de pé o melhor estilo europeu de construir, com elementos do neogótico, neoclássico, entre outros estilos. A foto ao lado mostra a esquina com a Rua Visconde de Inhaúma. Hoje ali está o novo prédio da ESPM. A avenida que à sua esquerda mantinha de pé o morro do castelo, como pode ser visto em foto abaixo, tinha um canteiro central arborizado com iluminação elétrica, muitos cafés, confeitarias e uma cidade que pulsava elegância.

Hoje são dias de correria, momentos de indigência total, tanto nas pessoas, quanto nas construções. A obra de derrubada do morro do castelo que previa, entre outras coisas, a melhor circulação de vento na cidade, pouco faz sentido, uma vez que, um prédio de 20 e poucos andares cumpre com louvor o mesmo papel. Com a inexistência do Iphan, não havia o que segurasse monumentos de pé. Estavam sempre sujeitos aos intempestivos momentos de loucura dos governantes do poder.

O carnaval de rua mantém sua história

O que de positivo há naquelas ruas, ao se falar de história, é a manutenção do carnaval carioca e suas manifestações populares pelas ruas do centro. Ao menos, todo ano o local é enfeitado para se celebrar a alegria carioca. É o mínimo, já que, a cada dia de pesquisa sobre a cidade, mais tristeza tenho de constatar o nível de destruição imposto aos cidadãos. O Palácio Monroe, antigo Senado, que será falado em breve é um dos que sucumbiram aos surtos de loucura dos governantes desta república, que, constato, pessoalmente, preferia que continuasse como Império.

História do Rio – A resistência ao tempo em forma de samba

“Eu sou o samba, sou natural aqui do Rio de Janeiro”. Existe trecho melhor para representar a simbiose entre as partes, do que este trecho da canção “A Voz do Morro”, de Jair Rodrigues? Certamente há, muitas histórias do Rio sobre a origem, o berço e quem são os precursores do ritmo carioca. E quem mais poderia representar o samba e sua resistência perante o tempo, a desconfiança e o preconceito, do que um estabelecimento construído para nele se fazer e propagar o batuque e que, desde 19 de janeiro de 1867, encontra-se de pé resistente à modernidade?ᅠO Clube dos Democráticos continuaᅠimpávido e nobre como sempre.

O começo da história do Clube dos Democráticos

Surgido durante o período imperial, o então Grupo dos XX amantes, clássicos boêmios cariocas,ᅠliderado por José Alves da Silva, reunia-se na antiga “Maison Rouge”, famosa confeitaria da época. Em um dos prazerosos encontros, compraram um bilhete de loteria, em intenção à Nossa Senhora da Glória, e prometeram que se fossem sorteados, fundariam uma sociedade carnavalesca.ᅠO que aconteceu. Após o prêmio de 15 mil contos de réis o “Democráticos Carnavalescos” foi fundado no objetivo de divertir e fazer críticas, numa época em que o país vivia momentos de transformação devido aos movimentos abolicionistas, republicanos e à corrente Guerra do Paraguai.

O Clube dos Democráticos jamais interrompeu suas atividades, mas a decadência da Lapa o fez passar maus bocados. Além disso, quando o centro mais tradicional da boêmia carioca teve seus momentos de sombra, o carnaval de rua carioca não obteve o êxito de outrora. Ao voltar ao cenário, a Lapa deu nova cara às ruas do Centro e ao carnaval carioca. Hoje, pode-se dizer que tanto os desfiles da Sapucaí quanto todo o grande resto que existe, valem os ingressos do carnaval, mesmo que você não precise pagar por ele. Pois só o samba no pé e o amor ao Rio de Janeiro podem fazer um carioca de verdade.

História do Rio Sua sede é um marco de resistência

Seus sócios são chamados Caprícius e sua sede “castelo”. Hoje o clube abriga noites de samba e choro. O casarão de mais de 140 anos de existência se mantém fiel às suas origens e se faz passível de reflexão: por que a história da cidade não manteve de pé outros monumentos no propósito de preservar uma época clássica de uma cidade que, à é
poca, vinha se transformando? Muitos sucumbiram e se tornaram apenas contos, que nem todos sabem ao certo contar.

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