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Quem passa todos os dias pelo Largo da Carioca, sentido Cinelândia, mal pode imaginar o quanto de <strong>história do Rio</strong> existe naquele espaço. Ao cruzar a Avenida Chile, entrando na Treze de Maio, fica difícil imaginar que ali exatamente, existiu um dos maiores teatros da Cidade, comparado inclusive ao Theatro Municipal. Pois bem, no ano 1904, início do século XX, durante a gestão Pereira Passos, foi construído o belíssimo Teatro Lírico, que, para ser ainda mais exato, tinha boa parte de sua construção no entroncamento da Rua Senador Dantas com a extinta Barão de São Gonçalo. O espaço contava com 42 camarotes de primeira classe, 42 de 2ª, 500 galerias numeradas, 426 assentos de platéia de 1ª classe, 389 cadeiras de 2ª e 220 cadeiras de varanda. Com números desse porte dá para imaginar o tamanho do prédio, cuja foto, não pode dimensificar o que foi.

O progresso rasga a história

Com tantos atributos, que davam ao Centro do Rio a beleza pródiga que só as capitais mais desenvolvidas culturalmente reúnem, o Teatro Lírico foi apenas mais uma, das muitas obras primas que vieram a baixo para que a cidade se tornasse “moderna”. No ano 1934 ele foi posto ao chão, para que fosse aumentado o largo da Carioca, durando exatos 30 anos de pé. Como a fotografia mostra, a identidade visual do local era, sem dúvida, muito mais interessante do que a existente hoje. As imagens despertam em qualquer pessoa que gosta minimamente de história, um ar de pseudo nostalgia.

Não há como entender o motivo de tanta prematuridade ao se por abaixo uma construção que, realmente, não deve ter sido barata. É possível, e provável, que elementos políticos já influenciassem obras públicas naqueles tempos. Mas é difícil imaginar que algo tão suntuoso, fosse posto abaixo simplesmente para se tornar um lugar vazio de construções e, principalmente, de cultura. Hoje, posso identificar bons motivos para pouca procura das novas gerações por coisas antigas, por história, por erudição. As pessoas que por aqui passaram, não mostraram exemplo, não justificaram seus valores, não fizeram a manutenção do seu tempo e isso, sem dúvida, não seria ter ficado parado no tempo.

Hoje Treze de Maio, antes Rua da Guarda Velha

A rua que virou Avenida e hoje conhecemos como Treze de Maio, foi Rua da Guarda Velha até os anos 10, e ia até o prédio da Imprensa Nacional, que irá ser apresentado detalhadamente em futuras postagens. Em arquivos da época é possível saber que existia também no local, uma Igreja Anglicana, como se pode ver nessa última fotografia, a qual é possível ver também o Theatro Municipal à direita; e na esquerda, outras antigas construções que davam todo o charme do velho e saudoso centro. Hoje no local não há bondes, não há muita história. Aliás, há sim, existe um conto de negligência que permitiu a queda de um prédio sem a vontade de ninguém.

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