“Eu sou o samba, sou natural aqui do Rio de Janeiro”. Existe trecho melhor para representar a simbiose entre as partes, do que este trecho da canção “A Voz do Morro”, de Jair Rodrigues? Certamente há, muitas histórias do Rio sobre a origem, o berço e quem são os precursores do ritmo carioca. E quem mais poderia representar o samba e sua resistência perante o tempo, a desconfiança e o preconceito, do que um estabelecimento construído para nele se fazer e propagar o batuque e que, desde 19 de janeiro de 1867, encontra-se de pé resistente à modernidade?ᅠO Clube dos Democráticos continuaᅠimpávido e nobre como sempre.

O começo da história do Clube dos Democráticos

Surgido durante o período imperial, o então Grupo dos XX amantes, clássicos boêmios cariocas,ᅠliderado por José Alves da Silva, reunia-se na antiga “Maison Rouge”, famosa confeitaria da época. Em um dos prazerosos encontros, compraram um bilhete de loteria, em intenção à Nossa Senhora da Glória, e prometeram que se fossem sorteados, fundariam uma sociedade carnavalesca.ᅠO que aconteceu. Após o prêmio de 15 mil contos de réis o “Democráticos Carnavalescos” foi fundado no objetivo de divertir e fazer críticas, numa época em que o país vivia momentos de transformação devido aos movimentos abolicionistas, republicanos e à corrente Guerra do Paraguai.

O Clube dos Democráticos jamais interrompeu suas atividades, mas a decadência da Lapa o fez passar maus bocados. Além disso, quando o centro mais tradicional da boêmia carioca teve seus momentos de sombra, o carnaval de rua carioca não obteve o êxito de outrora. Ao voltar ao cenário, a Lapa deu nova cara às ruas do Centro e ao carnaval carioca. Hoje, pode-se dizer que tanto os desfiles da Sapucaí quanto todo o grande resto que existe, valem os ingressos do carnaval, mesmo que você não precise pagar por ele. Pois só o samba no pé e o amor ao Rio de Janeiro podem fazer um carioca de verdade.

História do Rio Sua sede é um marco de resistência

Seus sócios são chamados Caprícius e sua sede “castelo”. Hoje o clube abriga noites de samba e choro. O casarão de mais de 140 anos de existência se mantém fiel às suas origens e se faz passível de reflexão: por que a história da cidade não manteve de pé outros monumentos no propósito de preservar uma época clássica de uma cidade que, à é
poca, vinha se transformando? Muitos sucumbiram e se tornaram apenas contos, que nem todos sabem ao certo contar.

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