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Av. CentralQuem circula pelo centro da cidade do Rio de Janeiro, mal sabe o que ali abrigava no início do século XX, um dos marcos de mudança arquitetônica e da história do Rio. Sob a batuta de Pereira Paços, foi aberta a Avenida Central, que ligava em 1800 metros, o novo porto da cidade à Glória, que à época se desenvolvia plenamente. Foi um tempo em que as ruas do centro foram alargadas, a orla da Baía de Guanabara fora totalmente urbanizada e alguns morros foram destruídos para que a maior, até então, avenida da cidade fosse aberta. Em 21 de fevereiro de 1912, passou-se a chamar Avenida Rio Branco, em homenagem ao Barão do Rio Branco, diplomata, que por meio de tratados garantiu fronteiras nacionais e morrera no dia 11 do mesmo mês.

Concreto armado desfigura história do Rio e legado Pereira Passos

Com o advento dos grandes prédios de concreto armado, pouco a pouco, a Avenida Rio Branco foi perdendo seu brilho arquitetônico cuidadosamente construído sob o olhar do engenheiro Paulo de Frotin, que tinha posto de pé o melhor estilo europeu de construir, com elementos do neogótico, neoclássico, entre outros estilos. A foto ao lado mostra a esquina com a Rua Visconde de Inhaúma. Hoje ali está o novo prédio da ESPM. A avenida que à sua esquerda mantinha de pé o morro do castelo, como pode ser visto em foto abaixo, tinha um canteiro central arborizado com iluminação elétrica, muitos cafés, confeitarias e uma cidade que pulsava elegância.

Hoje são dias de correria, momentos de indigência total, tanto nas pessoas, quanto nas construções. A obra de derrubada do morro do castelo que previa, entre outras coisas, a melhor circulação de vento na cidade, pouco faz sentido, uma vez que, um prédio de 20 e poucos andares cumpre com louvor o mesmo papel. Com a inexistência do Iphan, não havia o que segurasse monumentos de pé. Estavam sempre sujeitos aos intempestivos momentos de loucura dos governantes do poder.

O carnaval de rua mantém sua história

O que de positivo há naquelas ruas, ao se falar de história, é a manutenção do carnaval carioca e suas manifestações populares pelas ruas do centro. Ao menos, todo ano o local é enfeitado para se celebrar a alegria carioca. É o mínimo, já que, a cada dia de pesquisa sobre a cidade, mais tristeza tenho de constatar o nível de destruição imposto aos cidadãos. O Palácio Monroe, antigo Senado, que será falado em breve é um dos que sucumbiram aos surtos de loucura dos governantes desta república, que, constato, pessoalmente, preferia que continuasse como Império.

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