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“Eu quero ver esta prédio na Chom” A personagem mais famoso da atriz Aracy Balabanian, diria isto se a perguntassem sobre o viaduto que liga a Avenida Brasil ao Aterro do Flamengo. E realmente muito se fala sobre a demolição do elevado da Perimetral, que começa em 2013. Mas eu questiono de cara aos que discordam: Quem se lembra da doce Avenida Rodrigues Alves anterior ao monstro de concreto, que deu ainda mais vigor à industria rodoviária? Pois bem, a demolição total deste erro histórico, marca a renovação da zona portuária carioca, que ficou esquecida por muitos anos. E não, esta não é uma discussão política. Afinal, acho que qualquer um que estiver à frente do cargo, deveria ao menos conhecer a história dessa cidade.

Perimetral afoga ainda mais o gargalho no centro carioca

Aos que defendem a permanência, vos clamo: De que adianta ter um viaduto gigantesco ligando pontos se onde tudo desemboca, as vias são as mesmas de 50 anos atrás? E ainda há outro ponto, a Perimetral definhou um ponto junto ao mar e de grande valia à cidade. O Porto do Rio, pelo tamanho e a importância junto à história do Rio deveria ter sido tratado com mais carinho. O ponto hoje é o de menor densidade demográfica do município, fazendo se perder no meio dos movimentos urbanos toda a história da cidade. E não é só história a ser contada, a região portuária carioca, é um grande sítio arqueológico.

E outro fator importante a ser lembrado é que toda a área junto ao porto e aos bairros próximos, são os mais deteriorados de todo o Centro carioca. A antiga Rua Larga, que foi a primeira grande rua da capital, hoje como Marechal Floriano, deixa transparecer um pouco do desleixo com a história. Muito se fez nas áreas próximas ao aterro, mas a parte junta ao Morro da Providência, bairros como Gamboa e Saúde, foram esquecidas por longas décadas. Pensar numa revitalização é pensar no Rio como cidade grande e integrada.

E não é só isso, essa discussão aleatória sobre gastos é relativa. Gastar muito por nada é errado, gastar muito refazendo e consertando erros históricos é outra coisa. Até porque, pior do que gastar fazendo é não fazer e ainda sim o dinheiro sumir. E deixo claro que não concordo nem discordo com o sistema orçamentário da cidade. Quem hoje aceitaria derrubar um morro inteiro para fazer um novo bairro ligando-o ao mar? E, na verdade, deixou de legado um aeroporto, além de muito espaço funcional. Pois bem, hoje seria inimaginável a derrubada do Morro do Castelo entre outros que vieram a baixo, mas que, certamente, são extremamente relevantes para o desenvolvimento da cidade.

A derrubada da Perimetral, por sua vez, irá apresentar uma tecnologia bastante interessante, e importar dos EUA foi a solução e prevê que não haja implosões, até porque, resíduos como vigas e concretos serão usados em reformas de vias de acesso e tudo tem de estar intacto. Além do mais, obra abre espaço para possíveis reconstruções, como o Mercado Municipal, que, para a passagem do elevado, foi posto ao chão. Seria uma boa oportunidade de devolver à cidade o que foi tirado sem sentido.

Consertar erros da história do Rio levaria anos

Alguém toparia reerguer 80% dos cinemas de Rua do Rio? Ou ainda derrubar metade dos prédios do centro que transformaram o local em algo sem expressão? Ou ainda devolver os Cafés postos abaixo? Pois bem, se alguém tivesse a oportunidade de consertar tudo de errado que foi feito na nossa cidade, certamente, levaria uma vida fazendo. Afinal, o Rio já foi bastante mal tratado. É evidente que nada disso será feito. Mas jogar abaixo a horrível Perimetral é uma palhinha interessantíssima.

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