Quando o Domingo não tinha Maracanã …

E quando não havia o futebol como entretenimento, o que supria a paixão do povo carioca? Tudo isto faz parte da história do Rio! Logicamente o mundo não se divide em antes e depois da invenção do esporte mais popular do mundo. Tampouco a própria modalidade se baseia em apropriações materiais e construções ao longo do tempo. Mas se você é brasileiro, carioca e não tem mais de 70 anos, a imagem ao lado não lhe faz o menor sentido, naturalmente. Seria a mesma coisa que questionar qualquer pessoa sobre o que existia antes do sistema solar, ou perto disso. Pois então, vos revelo: nesse espaço, hoje se encontra o estádio Jornalista Mário Filho ou, simplesmente, Maracanã. Antes do início das obras em 2 de agosto de 1948, o local abrigava o Derby Club, antigo Hipódromo do Rio de Janeiro.

O Bairro do Maracanã e o Turf na cidade

O bairro que faz parte da Grande Tijuca, assim já se chamava antes do estádio. O nome vêm do Rio Maracanã, que até hoje passa suas águas pelo local e as vezes transborda um pouco, causando certo transtorno. Após as obras do que seria, à época, “o maior do mundo”, tornou-se um bairro independente. O Hipódromo, que teve seu terreno adquirido junto a Condessa do Itamaraty, é datado do fim do século XIX. As primeiras reuniões do Derby Club foram 1885.

E este não foi o primeiro Hipódromo da cidade do Rio. O pioneiro foi o Prado Fluminense, de 1848, que ficava no bairro de São Francisco Xavier, que existe até hoje e é vizinho à Tijuca. A iniciativa para que o Turf tivesse um lugar dedicado foram do Visconde do Rio Branco, Duque de Caxias, Alexandre Reed e do Major Suckow. Este último, foi quem pediu que o local sediasse as corridas de cavalo e mesmo com a presença de D. Pedro II na estreia, não obteve qualquer sucesso. Em 1930 houve a fusão entre o Derby Club e o Jockey Club, que já ocupava seu terreno na Gávea e assim está até hoje.

Tijuca, pioneirismo e tradição

O bairro da Tijuca foi pioneiro não só em abrigar o maior estádio do mundo. Em 1859, trafegaram de forma experimental os primeiros bondes da América do Sul que eram de tração animal e pertenciam à Companhia de Carris de Ferro da Cidade à Boa Vista e eram chamados de “Maxabombas” ou “Trens da Tijuca”. Com isso, os passeios ao bairro ficaram populares. O ano de 1892 marcou a chegada do bonde elétrico, pertencente a Ferro-Carril do jardim Botânico, que afirmava com as inscrições nos carros que: “a corrente elétrica nenhum perigo oferece aos senhores passageiros”.

Já no século XX, a Tijuca ficou muito famosa por seus muitos cinemas que, após a chegada do Mario Filho, na década de 50, entraram em decadência. Os domingos no local já tinham a badalação ao abrigar os Clássicos do grande América Futebol Clube, à Rua Campo Sales e passaram a ter muito mais festa e movimentação com a chegada do Maracanã. É um bairro conservador, que sempre manteve a relação entre seus moradores e a nobreza imperial e carrega, também, a mancha de ter abrigado o 1º Batalhão de Policia do Exército, onde era treinados soldados para repressão. Contudo, a Tijuca guarda o brilho de dar aos seus moradores, a exclusividade de ter um adjetivo: Tijucanos!

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História do Rio – Quando o lirismo veio abaixo

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Quem passa todos os dias pelo Largo da Carioca, sentido Cinelândia, mal pode imaginar o quanto de <strong>história do Rio</strong> existe naquele espaço. Ao cruzar a Avenida Chile, entrando na Treze de Maio, fica difícil imaginar que ali exatamente, existiu um dos maiores teatros da Cidade, comparado inclusive ao Theatro Municipal. Pois bem, no ano 1904, início do século XX, durante a gestão Pereira Passos, foi construído o belíssimo Teatro Lírico, que, para ser ainda mais exato, tinha boa parte de sua construção no entroncamento da Rua Senador Dantas com a extinta Barão de São Gonçalo. O espaço contava com 42 camarotes de primeira classe, 42 de 2ª, 500 galerias numeradas, 426 assentos de platéia de 1ª classe, 389 cadeiras de 2ª e 220 cadeiras de varanda. Com números desse porte dá para imaginar o tamanho do prédio, cuja foto, não pode dimensificar o que foi.

O progresso rasga a história

Com tantos atributos, que davam ao Centro do Rio a beleza pródiga que só as capitais mais desenvolvidas culturalmente reúnem, o Teatro Lírico foi apenas mais uma, das muitas obras primas que vieram a baixo para que a cidade se tornasse “moderna”. No ano 1934 ele foi posto ao chão, para que fosse aumentado o largo da Carioca, durando exatos 30 anos de pé. Como a fotografia mostra, a identidade visual do local era, sem dúvida, muito mais interessante do que a existente hoje. As imagens despertam em qualquer pessoa que gosta minimamente de história, um ar de pseudo nostalgia.

Não há como entender o motivo de tanta prematuridade ao se por abaixo uma construção que, realmente, não deve ter sido barata. É possível, e provável, que elementos políticos já influenciassem obras públicas naqueles tempos. Mas é difícil imaginar que algo tão suntuoso, fosse posto abaixo simplesmente para se tornar um lugar vazio de construções e, principalmente, de cultura. Hoje, posso identificar bons motivos para pouca procura das novas gerações por coisas antigas, por história, por erudição. As pessoas que por aqui passaram, não mostraram exemplo, não justificaram seus valores, não fizeram a manutenção do seu tempo e isso, sem dúvida, não seria ter ficado parado no tempo.

Hoje Treze de Maio, antes Rua da Guarda Velha

A rua que virou Avenida e hoje conhecemos como Treze de Maio, foi Rua da Guarda Velha até os anos 10, e ia até o prédio da Imprensa Nacional, que irá ser apresentado detalhadamente em futuras postagens. Em arquivos da época é possível saber que existia também no local, uma Igreja Anglicana, como se pode ver nessa última fotografia, a qual é possível ver também o Theatro Municipal à direita; e na esquerda, outras antigas construções que davam todo o charme do velho e saudoso centro. Hoje no local não há bondes, não há muita história. Aliás, há sim, existe um conto de negligência que permitiu a queda de um prédio sem a vontade de ninguém.

História do Rio: da cultura ao concreto

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Demolido em 1958Nas lembranças da cidade que hoje é conhecida pelo samba, futebol e funk, está o brilho clássico de um lugar, que hoje, poderia ser mais uma capital mundial de cultura e conservação de história do Rio. O Rio Antigo guarda na muitas memórias que nem mesmo nós cariocas desconfiam existir. Foram inúmeras mudanças que vem naturalmente com o passar dos anos, mas por outro lado, há uma perda de identidade e quem não conheceu, jamais poderia imaginar as coisas que iremos publicar aqui.

O Theatro phoenix, do brilho à queda

Construído em 1906, durante a gestão Pereira Passos, o Theatro Phoenix era mais um dos belos lugares de propagação de cultura e beleza do Rio Antigo, que contava com muitos bares, teatros e cabarés. O local abrigou espetáculos de comédia de Bibi Ferreira e dava às sisudas Ruas do Centro, um clima de charme e beleza. Sua arquitetura estilo art nouveau, localizada à antiga Rua da Ajuda, fazia lateral com a Almirante Barroso, num terreno que hoje seria entre a Rio Branco e a Rua México, dava ao centro, um ar pomposo e belo.

Contudo, como muitos outros que serão falados aqui, o prédio sucumbiu ao progresso, e pergunto por quê? Com tantos espaços vazios à época, não havia necessidade de pô-lo ao chão. Mas assim foi feito em 1958, para dar lugar à Av.Central, depois Rio Branco, que, por sua vez, passou a abrigar estruturas de concreto armado, sem qualquer relação de beleza e tradição, muito menos cultura, anônimos como todos que vem e vão por ali, todos os dias. O progresso poderia ter sido  mais generoso com o centro, que não era apenas o das finanças, do futuro, era passado e presente, erudição para muito além do que temos hoje.

A história da cidade do Rio de Janeiro se esconde do passado

O que, além das memórias, guardam as fotografias de uma cidade totalmente transformada? Essa pergunta não deveria ser posta em questão, mas é de notório saber que são pouquíssimos os cariocas que realmente se importam com sua história e todos os detalhes que transformaram a arquitetura de uma cidade que foi reconstruída para ser ainda mais bonita que Paris. Nas próximas postagens, novas histórias de construções e destruições da identidade cultural do Rio de Janeiro.